A Saúde Única (One Health) é uma abordagem integrada e unificadora que busca equilibrar e fortalecer, de forma sustentável, a saúde das pessoas, dos animais e dos ecossistemas.
Essa abordagem parte do princípio de que a saúde humana, animal, vegetal e ambiental estão profundamente interligadas e conectadas, exigindo ações coordenadas e intersetoriais.
Doenças zoonóticas: como raiva, influenza aviária, febre amarela e outras enfermidades transmitidas entre animais e humanos.
Doenças transmitidas por vetores: dengue, zika, chikungunya, malária e febre do Nilo Ocidental.
Resistência antimicrobiana (RAM): ameaça crescente à eficácia de antibióticos e outros medicamentos.
Segurança dos alimentos: prevenção de contaminações ao longo da cadeia produtiva, do campo à mesa.
Saúde ambiental: impactos da poluição, das mudanças climáticas e da degradação dos ecossistemas sobre a saúde coletiva.
Alterações ambientais podem impactar a incidência de malária, dengue e outras arboviroses.
O comércio e o manejo inadequado de animais aumenta o risco de spillover (transmissão de doenças de animais para humanos).
O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e possui forte atividade agropecuária, extensa urbanização e intensa interação entre humanos, animais e meio ambiente.
Essas características aumentam o risco de doenças zoonóticas, transmitidas por vetores e impactos ambientais sobre a saúde.
Em 2024, foi instituído no Brasil o Dia Nacional da Saúde Única (3 de novembro) e o país passou também a possuir um grupo técnico no Ministério da Saúde focado na vigilância.
A maioria das doenças emergentes têm origem animal. Fatores como desmatamento, fragmentação de habitats, agropecuária intensiva e urbanização desordenada aumentam o risco de novas epidemias.
A pandemia de COVID-19 evidenciou lacunas em vigilância, prevenção e integração entre setores.
Investir em Saúde Única é mais eficiente para preencher essas lacunas, sendo ainda menos custoso do que responder à crises já instaladas.
A Saúde Única defende sistemas integrados de vigilância que:
monitorem riscos à saúde humana, animal e ambiental;
identifiquem padrões e sinais precoces de surtos;
utilizem dados científicos para apoiar decisões rápidas e eficazes.
A relevância da Saúde Única para o Alto Vale do Itajaí está diretamente ligada às características da região, que enfrenta desafios específicos do clima, geografia e ambiente.
A região do Vale do Itajaí possui histórico de eventos climáticos, como inundações, que podem aumentar a incidência de zoonoses, como a leptospirose. A Saúde Única é crucial para uma resposta integrada a esses desastres, envolvendo a vigilância de animais, desassoreamento de rios, monitoramento de encostas e a qualidade ambiental para proteger a saúde humana.
Organizações como o CISAMAVI (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Vale do Itajaí) e órgãos ambientais da região trabalham em iniciativas que se alinham aos princípios da Saúde Única, promovendo a gestão de resíduos e a sustentabilidade, o que impacta diretamente a saúde pública e o meio ambiente local.
A adoção da Saúde Única fortalece a prevenção, reduz custos e protege vidas.